Vénus Poética

Toda poesia tem
seu encanto? Acredito que não e entanto
tudo o que buscamos nem sempre está no momento
e na inspiração.
É preciso respirar e sentir que o pulmão está dentro do peito,
é preciso acelerar e acertar
cada passo
indiferente à marcha.
A poesia tem de estar dentro tanto quanto longe, perto tanto quanto
fora, em ti como em mim.
Ser a nossa poesia e ir alem do poema.
Nas entrelinhas
vejo
a estrutura, nos ossos um flexível convite – Vamos?
e, neste poema, o convite chega quando o caminho já está findo.
Quando tudo o que foi pode permanecer,
quando o passado se desfaz
em rotineiros sonhos
reminiscentes,
recorrentes. . .
Vamos é gerúndio é presente continuo.
Poema em prosa, conversa direta e dissimulada.
Vida? Imagino que não e nem por isso tédio
ou descaso.
Inanimada escultura que chora por ti os dissabores de frugal contemplação.
Pedras pulsantes,
rusgas e ventos que levam por milênios
a ausência dos braços.
Eis a Vénus de Milo
rígida,
sincera,
verossímil, orientando teus abraços.

Aud D’Amgelo Dias,
Ouro Preto 27 de agosto de 2015.

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