O ENCONTRO DOS PÁSSAROS

O encontro dos pássaros

Do fundo deste curto abismo imaginar-te-ei sem a sublime dor, convencido que por teu lindo riso pairas acima da tempestade.

Observar-te-ei deste vermelho chão, desta mata cerrada, e nas asas dos marimbondos estendidas, ajustadas, no espectro do arco Iris acompanharei teu voo exuberante.

Desenhar-te-ei comovido na sombra do Condor é sempre que vir um pássaro qualquer, será teu canto a seta solar.

Refletir-te-ei sem nunca querer te assimilar e ao amor que acaso não tiver, darei desejo conveniente. Por palavras brandas, sussurradas, teu nome de ave ao vento tentarei bradar.

Perguntar-te-ei que veste usar na festa dos colibris, ou como traduzir os gestos vis da dissimulada solidão. Por tua graça, por tua vida no intimo imolada, validarei o prado, a rosa, o perfume, a dança, o riso e inapagável lamento.

Misturar-te-ei à sensação do ar para que does à terra que pensar e refutando o medo de cair, abandone as asas, faça do chão teu lar.

Enxergar-te-ei em outro plano, no sólido maciço tua raia, nas profundas águas teu corpo mergulhado e inerte, com abrasado olhar. Sem palavras dir-te-ei, ofuscando os gritos queixas e agonias, obliterando no cotidiano descontrole a dinâmica casa, vilipendiando-me no desígnio de te prender.

Com o coração pulsando, voluntariamente entorpecido, em revoada, encontrar-te-ei num ponto equidistante entre dois oceanos, pacifico ponto entre a encosta e o mar.

Na espuma branca das ondas humanamente posta reduzida e inteira sem anseio de voar.

Aud D’Angelo Dias, Ouro Preto 07 de julho de 2015.

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