FIGURAS

FIGURAS

 

Não gosto das figuras.

Por elas me faço obtuso.

Se digo deste céu sem nuvens

o mesmo que um asno diria observar

deste despenhadeiro

sobre o quanto vale amanhecer

nesses dias contados por tantos quantos

querem das horas trabalhadas

a luxuria e a fortuna,

digo tanto quanto um galo

diz ao vento e

nada diz o vento respondendo,

o eco sóbrio da despedida desta lua

circular itinerante, sobre coisas que te afligia.

Para o vento o galo fala o sopro quente feito um urro,

apenas outro curto solfejo noturno.

 

Não gosto das figuras,

pasmo delito agonizando

na faixa de areia longe do mar,

os pássaros me observam,

aves agourentas, mochos e pardais sem rumo,

ratos sem teto

escondidos neste improvisado mundo lar.

 

Não gosto das figuras dos bichos grilos,

dos gafanhotos ainda menos, mas tento lento

entender a vaca balançando os brincos

inventando outro passatempo por querer te ver voar.

Não gosto destes partos despojados,

nem da figura dos bezerros arrastados ao abate,

ou das tetas cheias que preenchem teu sínico olhar.

 

Não gosto

de figuras, gosto dos chifres que ameaçam,

dos cascos empenhados na corrida,

das mágicas caminhadas sobre a terra vermelha

sem noticias,

gosto do ócio no cio.

 

Não gosto de figuras, gosto das palavras

sem coisas para ilustrar.

 

Aud D’Angelo Dias , Ouro Preto 14 de abril de 2015???????????????????????????????

 

 

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