Vénus Poética

Toda poesia tem
seu encanto? Acredito que não e entanto
tudo o que buscamos nem sempre está no momento
e na inspiração.
É preciso respirar e sentir que o pulmão está dentro do peito,
é preciso acelerar e acertar
cada passo
indiferente à marcha.
A poesia tem de estar dentro tanto quanto longe, perto tanto quanto
fora, em ti como em mim.
Ser a nossa poesia e ir alem do poema.
Nas entrelinhas
vejo
a estrutura, nos ossos um flexível convite – Vamos?
e, neste poema, o convite chega quando o caminho já está findo.
Quando tudo o que foi pode permanecer,
quando o passado se desfaz
em rotineiros sonhos
reminiscentes,
recorrentes. . .
Vamos é gerúndio é presente continuo.
Poema em prosa, conversa direta e dissimulada.
Vida? Imagino que não e nem por isso tédio
ou descaso.
Inanimada escultura que chora por ti os dissabores de frugal contemplação.
Pedras pulsantes,
rusgas e ventos que levam por milênios
a ausência dos braços.
Eis a Vénus de Milo
rígida,
sincera,
verossímil, orientando teus abraços.

Aud D’Amgelo Dias,
Ouro Preto 27 de agosto de 2015.

O ENCONTRO DOS PÁSSAROS

O encontro dos pássaros

Do fundo deste curto abismo imaginar-te-ei sem a sublime dor, convencido que por teu lindo riso pairas acima da tempestade.

Observar-te-ei deste vermelho chão, desta mata cerrada, e nas asas dos marimbondos estendidas, ajustadas, no espectro do arco Iris acompanharei teu voo exuberante.

Desenhar-te-ei comovido na sombra do Condor é sempre que vir um pássaro qualquer, será teu canto a seta solar.

Refletir-te-ei sem nunca querer te assimilar e ao amor que acaso não tiver, darei desejo conveniente. Por palavras brandas, sussurradas, teu nome de ave ao vento tentarei bradar.

Perguntar-te-ei que veste usar na festa dos colibris, ou como traduzir os gestos vis da dissimulada solidão. Por tua graça, por tua vida no intimo imolada, validarei o prado, a rosa, o perfume, a dança, o riso e inapagável lamento.

Misturar-te-ei à sensação do ar para que does à terra que pensar e refutando o medo de cair, abandone as asas, faça do chão teu lar.

Enxergar-te-ei em outro plano, no sólido maciço tua raia, nas profundas águas teu corpo mergulhado e inerte, com abrasado olhar. Sem palavras dir-te-ei, ofuscando os gritos queixas e agonias, obliterando no cotidiano descontrole a dinâmica casa, vilipendiando-me no desígnio de te prender.

Com o coração pulsando, voluntariamente entorpecido, em revoada, encontrar-te-ei num ponto equidistante entre dois oceanos, pacifico ponto entre a encosta e o mar.

Na espuma branca das ondas humanamente posta reduzida e inteira sem anseio de voar.

Aud D’Angelo Dias, Ouro Preto 07 de julho de 2015.

Her life is not a rainbow.

Her life is not a rainbow.

After rain all you think is easy, but her life is not like rainbow.

She has a little child, with 6 and travels alone every day to work.

The child usually stays there, in her heart,

but his photo is like a shadow on the windows car.

When she crossed Buarque de Macedo bridge,

will goes to Agra’s house, and scared with hers thin shadow

thinking about hers destination had fear.

Aud D’Angelo Dias.

FIGURAS

FIGURAS

 

Não gosto das figuras.

Por elas me faço obtuso.

Se digo deste céu sem nuvens

o mesmo que um asno diria observar

deste despenhadeiro

sobre o quanto vale amanhecer

nesses dias contados por tantos quantos

querem das horas trabalhadas

a luxuria e a fortuna,

digo tanto quanto um galo

diz ao vento e

nada diz o vento respondendo,

o eco sóbrio da despedida desta lua

circular itinerante, sobre coisas que te afligia.

Para o vento o galo fala o sopro quente feito um urro,

apenas outro curto solfejo noturno.

 

Não gosto das figuras,

pasmo delito agonizando

na faixa de areia longe do mar,

os pássaros me observam,

aves agourentas, mochos e pardais sem rumo,

ratos sem teto

escondidos neste improvisado mundo lar.

 

Não gosto das figuras dos bichos grilos,

dos gafanhotos ainda menos, mas tento lento

entender a vaca balançando os brincos

inventando outro passatempo por querer te ver voar.

Não gosto destes partos despojados,

nem da figura dos bezerros arrastados ao abate,

ou das tetas cheias que preenchem teu sínico olhar.

 

Não gosto

de figuras, gosto dos chifres que ameaçam,

dos cascos empenhados na corrida,

das mágicas caminhadas sobre a terra vermelha

sem noticias,

gosto do ócio no cio.

 

Não gosto de figuras, gosto das palavras

sem coisas para ilustrar.

 

Aud D’Angelo Dias , Ouro Preto 14 de abril de 2015???????????????????????????????